"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

TRUQUE ANTI VÍRUS

TRUQUE ANTI VÍRUS... MUITO ÚTIL

Esta é uma recomendação de um antivírus simples e é um truque é realmente engenhoso pela sua simplicidade.
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Quando um vírus entra no seu computador, ele se encaminha diretamente ao seu livro de endereços, e envia-se a si mesmo para todas as direções que ali encontra, infectando assim todos os seus contatos.

Então experimente usar a seguinte técnica:

1- Abra a sua agenda de contatos e faça um "click" em "novo contacto", como se estivesse adicionando um contacto novo.

2- Na janela onde escreverá o novo nome, ponha "AAAA". (Ou qualquer outro nome com vários "As" no início para ter certeza de que será o primeiro contacto da sua lista) (Pode-se usar: AAAA ALERTA DE VÍRUSINHO)

3- Crie um endereço de e-mail falso como por exemplo: aaaaaaaaa@aaaaa.com

Explicando :
Desta forma o nome designado como AAAA, com o endereço acima, ficará como a entrada n.° 1 da sua agenda.
Será ali que os vírus começarão o seu esforço para se auto-enviarem a todos os outros contactos relacionados por ordem alfabética da sua agenda.
É óbvio que será impossível entregar a mensagem no falso endereço criado.
Quando a primeira tentativa falha (coisa que se sucederá por causa do falso endereço), o vírus não continua e os componentes da agenda não serão infectados.
Além disto, a segunda vantagem deste método, é que, se um e-mail contaminado não pode ser entregue, será notificado na sua caixa de e-mail quase imediatamente.
Portanto, ao receber um aviso que diz que uma mensagem sua para "AAAA" não pôde ser entregue, saberá de forma rápida que tem um vírus instalado no seu computador.

Se todos nós usássemos este sistema tão simples, e até banal, os atuais vírus não poderiam se propagar tão facilmente e o número de computadores infectados diminuiria drasticamente.

Pela facilidade de se fazer o procedimento acima, envie esta mensagem para o maior numero de amigos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O preconceito e as minorias

Serviço de negro
Jaime Pinsky

Um garoto negro termina um serviço que lhe havia sido solicitado e, orgulhosamente, garante ter feito “serviço de branco”. Várias moças respondem a anúncio para secretária; algumas perguntam se podem ser entrevistadas, “mesmo sendo negras”. Ser negro ou mulato e caminhar pela cidade é considerado “atitude suspeita” por muitos policiais. Como dizia um conhecido ― para meu horror e indiferença dos demais participantes da conversa: “Não tenho nada contra o negro ou o nordestino, desde que saiba o seu lugar”. E esse lugar, claro, é posição subalterna na sociedade.
Numa sociedade competitiva como a nossa o ato de etiquetar o outro como diferente e inferior tem por função definir-nos, por comparação, como superiores. Atribuir características negativas aos que nos cercam significa ressaltar as nossas qualidades, reais ou imaginárias. Quando passamos da ideia à ação, isto é, quando não apenas dizemos que o outro é inferior, mas agimos como se de fato fosse, estamos discriminando as pessoas e os grupos por conta de uma característica que atribuímos a eles.
De uma forma mais precisa podemos dizer que o discurso preconceituoso procura enquadrar as diferentes minorias, a partir de um prejulgamento decorrente de generalização não demonstrada. Mas isso não importa a pessoa preconceituosa. Afirmações do tipo “os portugueses são burros”, “os italianos são grossos”, “os árabes, desonestos”, “os judeus, sovinas”, “os negros, inferiores”, “os nordestinos’ atrasados”, e assim por diante, têm a função de contrapor o autor da afirmativa como a negação, o oposto das características atribuídas ao membro da minoria. Assim, o preconceituoso, não sendo português, considera-se inteligente; não sendo italiano, acredita-se fino; não sendo árabe, julga-se honesto; não sendo judeu, se crê generoso. É convicto de sua superioridade racial, por não ser negro e de sua superioridade cultural, por não ser nordestino.
É importante notar que, a partir de uma generalização, o preconceito enquadra toda uma minoria. Assim, por exemplo, “todos” os negros seriam inferiores, não só alguns. A inferioridade passaria a ser uma característica “racial”, inerente a todos os negros. E se o preconceito conhece um negro que, a seu juízo, não é inferior, acaba reconhecendo que aquele, especificamente, é igual “apesar de negro”, ou seja, uma exceção que justifica a regra. E o preconceito é tão forte que acaba assimilado pela própria vítima. É o caso do garoto que garantiu ter feito “serviço de branco”. Ou do imigrante que nega a sua origem. Ou, ainda, da mulher que reconhece sua “inferioridade”.
Quando se fala de minorias tem sempre um gaiato que diz que as minorias são minorias, pois se somarmos as mulheres aos negros, aos migrantes e aos outros já teríamos uma ampla maioria. Teríamos, sim, se estivéssemos falando de matemática e não de preconceito. Por isso é que dizemos que o preconceito é de uma irracionalidade irracional, por mais paradoxal que a formulação pareça. É evidente que o total de pessoas atingidas pelo preconceito constitui a maioria numérica da sociedade, principalmente se nela incluirmos as mulheres, ainda fruto de preconceitos machistas elementares (“mulher não sabe dirigir”, “mulher é objeto” são apenas alguns dos mais correntes). Se somarmos as mulheres aos negros, nordestinos e descendentes de algumas nacionalidades já mencionadas, as “minorias” se transformarão em esmagadora maioria.
Seria, pois, errado falar em minorias? Não, uma vez que o conceito de minoria é ideológico, socialmente elaborado e não aritmeticamente constituído. Isto quer dizer que o negro de que se fala não é o negro concreto, palpável, mas aquele que está na cabeça do preconceituoso. E isto tem raízes históricas profundas.
O olhar branco e majoritário que lançamos pela História não perdoa nada. Apresentamo-nos como povo branco que no máximo recebeu algumas “contribuições” de outras raças como ensina ainda boa parte de nossos manuais escolares. Somos, na visão reproduzida em muitas escolas, brancos de cultura branca, que absorveram aspectos pitorescos das outras raças, como temperos, crendices e alguns ritmos. Olhamos os negros com rancor, como se eles tivessem escolhido vir para cá “manchar a sociedade branca”. Após escravizá-los, reclamamos de seu caráter submisso. Após esmagá-los de trabalho, por séculos, falamos de sua preguiça. Depois de deixá-los na rua, quando da Abolição, não nos conformamos com sua pobreza. O problema do negro deve ser explicado pela História, nunca pela biologia...
Hoje sabemos que na segunda metade do século XIX houve um grande incremento de revoltas, rebeliões, fugas e assassinatos de feitores e senhores em muitas fazendas, levando um grande número de proprietários a transferir suas residências para as cidades, com medo dos negros escravos. Os arquivos abrigam também inúmeros processos contra negros por suas atitudes com relação aos senhores, incluindo frequentes casos de assassinatos, o que pulveriza a ideia de que os negros aceitaram passivamente sua condição.
Levantes importantes, em diferentes partes do Brasil, têm sido estudados e demonstram que, se é verdade que aqui não se chegou a haver uma revolta geral como no Haiti, não é menos verdade que nos últimos anos de escravidão se vivia um clima de levante iminente e muito medo por parte dos brancos.
Uma das sequelas da escravidão foi ter deixado muito marcada, no Brasil, a separação entre o trabalho braçal e o intelectual. Lembro-me, com tristeza, de reuniões com colegas de universidade numa pequena sala, com cadeiras empoeiradas devido a uma greve dos funcionários de limpeza. Alguns professores, teoricamente defensores dos oprimidos e vencidos, não se dignaram a passar um pano sobre as cadeiras para retirar o pó, preferindo a ficar em pé a sujar a roupa na poeira. Enquanto amaldiçoavam a greve, exaltavam os grevistas de papel, descritos em suas teses cheias de mofo.
O preconceito contra o negro tem várias facetas, e uma delas está justamente voltado a questões ligadas ao trabalho. Será que é razoável usarmos termos como “serviço de negro”, ao nos referirmos a algo mal feito, ou a um trabalho especialmente desvalorizado pela sociedade? Há uma série de outros termos e expressões, extremamente pejorativos, que deveriam ser objeto de nossa atenção, pelo seu caráter altamente ofensivo.
Sempre haverá quem alegue que o negro, de fato, é diferente, que lá está sua cor de pele, algo externo, evidente, marcando acintosamente a diferença. Mas há outras diferenças, também evidentes, que não têm conotações de superioridade ou inferioridade... É só o estudante que está me lendo agora voltar-se a seus colegas e observar o lóbulo de suas orelhas. A maioria tem o lóbulo descolado, solto, mas há sempre alguns que têm o lóbulo preso, colado à face. E se alguém desenvolvesse a teoria segundo a qual estes últimos seriam mais inteligentes do que os primeiros? Parece ridículo, idiota mesmo, não? Mas não há quem acredite que a cor da pele, algo tão superficial e irrelevante quanto o lóbulo da orelha, defina superioridade? Se for possível tirar os sapatos em sala de aula, tentem verificar quantas meninas têm o segundo dedo do pé mais comprido do que o dedão. Vocês podem não acreditar, mas dizia-se que meninas com dedos assim, quando casadas, mandariam nos maridos. Não parece algo muito, mas muito idiota? E não é igualmente idiota acreditar que por ter mais melanina na pele alguém possa ter mais talento para o samba e menos para a política ou administração?
De resto lembro-me sempre do que me ensinou uma antiga professora de antropologia. Segundo ela, o esqueleto de membros de certos grupos de africanos como os zulus, por serem altos, magros e dolicocéfalos (cabeça mais comprida do que redonda), poderiam ser confundidos com o de nórdicos, nunca com o de mediterrâneos, estes geralmente são baixos, encorpados e braquicéfalos (cabeças mais redondas do que compridas). Noutras palavras, abstraindo a cor da pele há mais semelhança entre certos grupos de negros e brancos do que os brancos entre si. Como se vê, estabelecer juízos a partir de algo tão periférico e superficial como a cor da pele não resiste a uma avaliação um pouco mais aprofundada.
Durante a primeira metade do século XX as teorias raciais estavam muito na moda. Com a subida ao poder de Hitler, nos anos 30, foram estimulados os experimentos com vistas a demonstrar as diferenças entre as raças e ― os nazistas esperavam ― a superioridade de uma alegada raça ariana. Sem nenhuma consideração pelas pessoas, os nazistas, fizeram experiências cruéis com seres humanos, dissecados em vida, com a finalidade de provar suas teorias. Não conseguiram encontrar nada que desse sustentação aos seus preconceitos.

Por todas essas razoes, combater a discriminação aos negros (e, por extensão toda e qualquer discriminação ou preconceito) é não apenas uma atitude politicamente correta, mas racionalmente consequente e socialmente aconselhável.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Entre homens e mulheres

DESENCONTROS SEXUAIS
Drauzio Varella

Desentendimentos entre mulheres e homens começam no instante em que o espermatozoide penetra o óvulo.
Como o óvulo sempre carrega um cromossomo sexual X, se o espermatozoide trouxer um cromossomo Y, haverá formação do par XY e nascerá um menino. Se trouxer um cromossomo X, o par XX dará uma menina.
Dos primeiros estágios do embrião à vida adulta, nosso cérebro e os demais tecidos serão bombardeados incessantemente pelos hormônios sexuais condicionados à configuração XX ou XY. Eles decidirão não apenas se teremos testículos ou ovários, pênis ou clitóris, mas as características arquitetônicas dos circuitos de neurônios envolvidos no processamento das emoções e na estrutura básica do pensamento racional.
Nas mulheres, em obediência a uma ordem que parte de uma área cerebral chamada hipotálamo, a hipófise libera o hormônio FSH (hormônio folículo estimulante), que agirá sobre os folículos ovarianos, estimulando-os a produzir estrogênios, encarregados de amadurecer um óvulo a cada mês.
FSH e estrogênios dominam os primeiros 15 dias do ciclo menstrual com a finalidade de tornar a mulher fértil, isto é, de preparar para a fecundação uma das 350 mil células germinativas com as quais nasceu.
Atento ao desenrolar dos acontecimentos, ao detectar a ovulação no 14º dia do ciclo, o hipotálamo muda radicalmente de orientação e avisa a hipófise de que está na hora de liberar mais LH (hormônio luteinizante) para obrigar o ovário a produzir progesterona, com a função de preparar terreno para a passagem segura do óvulo fecundado pela trompa, para a sua implantação no útero e para assegurar continuidade à gravidez e ao aleitamento.
Se não houver fecundação, o ciclo terá sido fútil: a camada interna do útero (endométrio) desabará e os vasos que a irrigam sangrarão por alguns dias. Então, o todo-poderoso hipotálamo dará ordem para iniciar o ciclo seguinte.
Estrogênios e progesterona não são os únicos hormônios sexuais capazes de influenciar o comportamento feminino, mas são os mais importantes. Reduzida à essência, a ação dos estrogênios, liberados em grande quantidade na primeira metade do ciclo, é preparar para o sexo; a da progesterona, na segunda metade, é assegurar a integridade da gravidez.
Níveis elevados de estrogênio reduzem a fome, exaltam o olfato, o paladar, a disposição e a libido, tornam a pele sedosa e brilhante, bem como a vagina lubrificada e aquecida, diminuem a consistência do muco que obstrui o colo uterino para impedir a entrada de germes e aumentam a libido. O impacto estrogênico no cérebro desperta ímpetos sedutores, estimula a agressividade, a independência e a capacidade de planejamento, melhora o humor e tem efeito antidepressivo.
A predominância de progesterona nas duas semanas que antecedem a menstruação torna a pele menos brilhante, provoca retenção de líquido, inchaços, turgescência e dor nas mamas, diminuição da lubrificação vaginal e da libido, dificuldade de atingir o orgasmo, aumento do apetite e da temperatura corporal. A mulher se torna mais dependente, irritada com as atitudes masculinas, insegura, carente de proteção, menos criativa, menos carinhosa com os filhos e menos indulgente com os familiares.
Nos homens, o panorama hormonal é dominado pela testosterona, responsável pelo aumento das massas óssea e muscular e pelos caracteres sexuais secundários. Sua influência no comportamento pode ser resumida na aquisição de duas características predominantemente masculinas: espírito de competição e agressividade, graças às quais nossos antepassados exerceram poderosa atração sexual sobre suas companheiras desejosas de garantir a sobrevivência da prole acima de tudo.
Nos homens, os níveis sanguíneos de testosterona aumentam rapidamente com a chegada da puberdade, mantêm-se elevados até os 25 ou 30 anos e entram em declínio muito lento, que se acentua depois dos 65 anos. Descontado o salto da puberdade, não ocorrem variações hormonais imprevisíveis.
Nas mulheres, os ciclos que se iniciavam aos 16 ou 17 anos no início do século passado, hoje se instalam cada vez mais cedo, sem sabermos exatamente por quê. Não são raras as meninas que menstruam pela primeira vez aos 11 anos. A partir de então, eles se repetem mensalmente até a instalação da menopausa, lá pelos 50 anos, quando a função ovariana entra em falência. Da puberdade à menopausa, a sequência só é interrompida em caso de gravidez e amamentação, fases dominadas pela progesterona, o hormônio da maternidade.
A complexidade hormonal das mulheres, seres cíclicos, é incomparável à nossa. Diante delas somos singelos, para não dizer simplórios: nossas concentrações de testosterona num dia qualquer são praticamente idênticas às do dia anterior e às do mês seguinte. Só com o passar dos anos podemos notar o declínio lento. Em contraposição, nelas a composição e o equilíbrio entre os níveis estrogênios e de progesterona variam não apenas no decorrer da vida em função da maternidade e da menopausa, mas de um dia para o outro. Não existem dois dias de um ciclo menstrual em que as concentrações de estrogênios ou de progesterona sejam as mesmas.
Talvez por causa dessas diferenças as mulheres digam que os homens são todos iguais, enquanto nós dizemos que não dá para entender as mulheres.


Cidadão norte-americano

Cidadão 100% Norte-Americano
Ralph Linton, antropólogo estadunidense (1893-1953)



O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tomou doméstica na índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo: ou de seda; cujo emprego foi descoberto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso de mocassins que foram inventados pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos e entra no banheiro, cujos aparelhos são uma mistura de invenções europeias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestuário inventado na Índia, e lava-se com sabão, que foi inventado pelos antigos gauleses; faz a barba, que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do Antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira de tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no Antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra no pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do século XVII. Antes de ir tomar seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o breakfast para para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é o inventado na Itália medieval, a colher vem de um original romano. Começa seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a ideia de aproveitar seu leite são originários do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na índia. Depois das frutas e do café, vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou uma planta doméstica na Ásia Menor. Rega-os com xarope de maple, inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de urna espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia oriental, salgada e defumada por um pro­cesso desenvolvido no norte da Europa.
Acabando de comer nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta original do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarros provenientes do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for um bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-europeia, o fato de ser 100% americano.





LINTON, Ralph. O homem: uma introdução à Antropologia, p. 331-332. Extraído do livro Introdução à Sociologia de Pérsio Santos de Oliveira. São Paulo, Editora Ática, 1989.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Um soneto de Bocage

Nascemos para Amar
Nascemos para amar; a humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atrativo, ó formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou para, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.


(Bocage)
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A escola sem paredes

O outro eu da escola

Quando entro,
a escola, pronta
as aulas, prontas
as atividades, prontas
os programas, prontos
a avaliação, pronta

Percebo, então
que um outro está ali
não eu!

Ao ingressar nessa escola
ao entrar nessa sala
ao aterrissar nesse currículo
descubro-me apenas isto:
um estranho, um hóspede
em qualquer hotel.

Nessa escola, a matrícula
não é a minha radiografia
é a ficha de hóspede
do hotel em que ingressei
como se fosse uma escola.

Por isso, quem está ali
não sou eu
não sou eu inteiro, integral

Quem está ali
é o outro, o que entrou
nas estatísticas da escola
mas não em suas aulas.

A escola não me recebeu
deixou entrar um outro
estranho, desconhecido
parecido comigo
mas bem distante de mim.

Eu o entrevejo
nos registros da escola
nas atividades da escola
mas não o vejo em meus registros
nem o encontro em minha vida.

Que bom seria se a escola
não me impusesse uma segunda natureza
me assistisse para eu mesmo me recriar.

Que bom seria se a escola
deixasse o outro lado
e me abraçasse, eu mesmo
em minha identidade inelegível.

CARNEIRO M. A.  A escola sem paredes. São Paulo: Escrituras Editoras, 2002.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Ortografia oficial

A estrutura da ortografia oficial está sendo atualizada pela Reforma Ortográfica que está entrando em vigência. Este novo Acordo Ortográfico teve seu início no ano de 2008 e tem como objetivo tornar a Língua portuguesa única em todo o mundo, principalmente nos países que a possui como idioma oficial. A nova regra já está valendo e sendo usada por algumas Bancas Examinadoras em provas de concursos públicos. Estamos atravessando um período de transição que se encerrará em 31 de dezembro de 2015, as duas formas de escrita nesse meio tempo serão válidas nos concursos públicos. Mas o porquê dessa Reforma Ortográfica? Há quase 20 anos tenta-se um acordo ortográfico na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CLPL), que é constituída por: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor Leste. Mas esse acordo só foi efetivado agora porque Portugal não cedia a adesão.
O que muda na Língua Portuguesa?

A pronúncia das palavras não irá mudar, mudará apenas a sua escrita.

Alfabeto
A reprodução das palavras na escrita é feita por meio de sinais gráficos denominados letras. Em português, o alfabeto passa a ter 26 letras após a inclusão das letras k, w e y.
a A (á), b B (bê), c C (cê), d D (dê), e E (é), f F (efe), g G (gê ou guê), h H (agá), i I (i), j J (jota), k K (capa ou cá), l L (ele), m M (eme), n N (ene), o O (ó), p P (pê), q Q (quê), r R (erre), s S (esse), t T (tê), u U (u), v V (vê), w W (dáblio),  x X (xis),  y Y (ípsilon), z Z (zê)
Na sequência: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Emprego das letras k, w e y: embora oficialmente constantes do nosso alfabeto, essas letras continuarão com uso restrito a topônimos e antropônimos estrangeiros e seus derivados, siglas, símbolos e palavras adotadas como unidade de medida de curso internacional.

1. Em antropônimos originários de outras línguas e seus derivados.
Byron, byroniano; Darwin, darwinismo; Franklin, frankliniano; Kafka, kafkiano; Kant, kantiano, kantismo, kantista; Kardec, kardecista, kardecismo; Taylor, taylorista; Wagner, wagneriano etc.

2. Em topônimos originários de outras línguas e seus derivados.
Kwanza, Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano etc.

3. Em siglas, símbolos e em palavras adotadas como unidade de medida de curso internacional.
TWA, KLM; K – potássio (de kalium), W – oeste (West); kg – quilograma; km – quilômetro; kw– quilowatt; yd – (jarda); W – watt etc.

Simplificação da grafia de palavras
Nomes próprios de pessoas ou de lugares de tradição bíblica:
a. Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th são conservados, simplificados ou adaptados.
Loth, Lot ou Ló; Ziph ou Zif; Baruch ou Baruc; Judith ou Judite

b. Se os dígrafos não forem pronunciados, devem ser eliminados.
Joseph = José; Nazareth = Nazaré

c. As consoantes finais b, c, d, g e t mantêm-se — quer mudas, quer proferidas.
Jacob, Josafat, Gog, Job, Isaac, Magog
Nota
No Brasil, é comum encontrar a grafia aportuguesada de Jacó, Jó, Josafá, Isaque, Gogue, Magogue, também corretas.

d. Os vocábulos autorizados poderão receber grafias variantes, segundo a sua origem: fúcsia ou fúchsia e derivados; buganvília, buganvílea ou bougainvíllea etc.
Nomes próprios de lugares em língua estrangeira:
Sempre que possível, devem ser adaptados à língua nacional.
Anvers = Antuérpia, Genève = Genebra, München = Munique, Cherbourg = Cherburgo, Jutland = Jutlândia, Torino = Turim, Garonne = Garona, Milano = Milão, Zürich = Zurique

Palavras com sequência de consoantes no interior do vocábulo
e. A sequência deve ser conservada quando invariavelmente proferida na pronúncia culta.
=ficção, apto, compacto, convicção, friccionar, pictural, pacto, díptico, eucalipto, inepto, núpcias, adepto, erupção, rapto etc.

f. A sequência deve ser eliminada quando invariavelmente não proferida na pronúncia culta.
=ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, objeção, batizar, exato, adoção, Egito, ótimo, adotivo, adotar etc.

g. Haverá dupla grafia se não houver uniformidade entre as pronúncias cultas dos países ou quando oscilarem entre a prolação e o emudecimento.
=aspecto ou aspecto; dicção ou dição
=assumpção ou assunção; facto ou fato
=cacto ou cato; peremptório ou perentório
=caracteres ou carateres; recepção ou receção
=ceptro ou cetro; sector ou setor
=concepção ou conceção; sumptuoso ou suntuoso
=corrupto ou corruto; sumptuosidade ou suntuosidade

NOTA 1
Nas sequências interiores mpc, mpç e mpt, se o p for eliminado, em lugar do m se deverá usar o n, pois não mais antes de p e b, devendo se escrever, respectivamente, nc, nç e nt.

NOTA 2
O fato de a dupla grafia ser aceita não quer dizer que devamos adotar a variante de Portugal. A recomendação da ABL é que os países conservem seus hábitos ortográficos

Sufixos -iano e -iense
Mantém-se o i nos substantivos e adjetivos derivados.
acriano (Acre); soflocliano (Sófocles); saussuriano (Saussure); torriense (Torres)

Substantivos que são variações de outros terminados em vogal. As variações devem ser grafadas com final -io e -ia.
cume – cúmio; haste – hástia; veste – vestia; reste – réstia

Acentuação
a. Os ditongos abertos ei e oi nas paroxítonas não são mais acentuados.
geleia, jiboia, claraboia, teteia, heroico etc.

Lembrete
Nos monossílabos tônicos e nas oxítonas, o acento permanece: herói, dói, constrói, réis, farnéis, anéis etc.

ATENÇÃO
As palavras Méier e destróier, por exemplo, continuarão acentuadas, pois são paroxítonas terminadas em r. A acentuação dessas palavras acontecia por dois motivos. Deixando de existir um deles, o outro, no entanto, ainda vigora.

b. Os verbos crer, dar, ler e ver, na terceira pessoa do plural, não são mais acentuados.
crê/creem, lê/leem, dê/deem, vê/veem

c. Palavras forma/fôrma
Utensílio doméstico = uso facultativo do acento circunflexo (forma ou fôrma).
A fôrma de bolo não tem o tamanho ideal.
Configuração física = sem acento.
A mesa tem forma arredondada.
Verbo formar – sem acento.
Ele forma, todos os anos, grupos de voluntários para atender aos necessitados.

d. As palavras oxítonas terminadas em e e que variam de timbre na pronúncia culta dos diferentes países de língua portuguesa continuarão sendo grafadas segundo o costume de cada país.
bebê/bebé, caratê/caraté, nenê/nené, bidê/bidé, crochê/croché, cocô/cocó, canapê/canapé, guichê/guiché, rapê/rapé
ATENÇÃO
Também receberão dupla grafia: judô/judo; metrô/metro

e. As palavras paroxítonas ou proparoxítonas cuja vogal tônica em fim de sílaba é seguida de m ou n serão grafadas de duas formas, em respeito à peculiaridade do país.
fêmur/fémur, sêmen/sémen, fênix/fénix, ônix/ónix, gênero/género, Antônio/António

f. É facultativo o uso do acento agudo na 1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo dos verbos de primeira conjugação para diferenciá-los da 1ª pessoa do plural do presente do indicativo.
Amámos muito em nossa juventude.
Amamos muito ainda hoje.

g. É facultativo o uso do acento circunflexo na 1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo dar para diferenciá-lo da 1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo.
O chefe espera que dêmos o melhor de nós neste projeto.
Demos o melhor de nós à empresa no ano passado.
ATENÇÃO
No Brasil, não usamos esses acentos morfológicos, pois, em ambos os casos, o timbre é fechado.

h. As paroxítonas grafadas com o grupo oo não mais serão acentuadas: enjoo, voo, coo, povoo etc.

ATENÇÃO
Não se enquadram nessa regra palavras grafadas com o grupo oo cuja razão para receber o acento é uma das regras de acentuação gráfica: herôon (na Grécia antiga, templo ou monumento funerário erguido em honra de um herói), paroxítona terminada em -on. Em nota explicativa, a ABL comunica que decidiu incluir na regra de paroxítonas acentuadas as terminadas em -om: iândom e rândom (variação de rândon).

i. O verbo poder, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, receberá acento circunflexo para se diferenciar da terceira pessoa do singular do presente do indicativo.
Ele pôde fazer tudo que idealizou para si, por isso pode se considerar vitorioso.

j. O verbo pôr, no infinitivo, receberá acento circunflexo para se diferenciar da preposição por.
Precisou de muito tempo para pôr ordem no escritório.
Ele viajou por países que não conhecia.

k. Não mais serão acentuadas as paroxítonas cujas vogais tônicas i e u forem precedidas de ditongo decrescente. (Mas guaíba e afins, por serem precedidas de ditongo crescente.)
=feiura, boiuno, baiuca, bocaiuva, cauila, maoismo, taoismo etc.

l. Os verbos aguar, enxaguar, apaziguar, apropinquar, delinquir e outros que possuem duplo paradigma não serão acentuados quando escolhido o paradigma de conjugação em que o u é tônico.
Averigue o que ocorreu.
Espera-se que os esforços do governo apaziguem as comunidades carentes.
Quando escolhido o outro paradigma, o acento deverá ser empregado, pois se trata de paroxítona terminada em ditongo.
Averígue o que aconteceu.
Espera-se que o governo apazígue as comunidades carentes.

m. Não mais receberão acento agudo no u tônico os verbos arguir e redarguir.
Ele argui muito bem seus alunos; por que redarguem eles?

Lembrete
Permanece acentuado o i em arguí, pois tem sua razão na regra de acentuação dos hiatos.

Regras de acentuação gráfica que não sofreram alteração
Acentuam-se:

a. Todas as palavras monossílabas tônicas terminadas em a, e, o, seguidas ou não de s.
=pá, trás, pé, pó etc.

b.  Todas as palavras oxítonas terminadas em a, e, o (seguidas ou não de s), em e ens.
=cajá, chalé, cipó, também, parabéns etc.

c. Todas as palavras paroxítonas terminadas em ps, um, uns, r, us, i, is, x, n, l, ã, ão e ditongos, seguidos ou não de s.
=fórceps, álbum, álbuns, caráter, vírus, júri, lápis, fênix, hímen (himens não é acentuado), hífen (hifens não é acentuado), útil, ímã, bênção, água, vôlei, cárie, relógio, bíblia etc.

d. Todas as palavras proparoxítonas.
=árvore, álibi, âncora, relâmpago etc.

e.  O i e o u tônicos, seguidos ou não de s, quando formarem hiato com a vogal anterior (que não seja i ou u), estiverem sozinhos na sílaba (ou com s) e não estiverem seguidos de nh.
=caído, juíza, baú (mas rainha, xiita, sucuuba) etc.

Trema

a. Não mais receberão trema os vocábulos da língua portuguesa.
=tranquilo, consequência, linguiça, bilíngue, frequentar, equestre, cinquenta etc.

b. O trema será conservado nas palavras de origem estrangeira e seus derivados.
=Hübner, hübneriano; Müller, mülleriano etc.

Verbos ligados a substantivos terminados em -io ou -ia
Serão conjugados de duas maneiras.
Eu negocio/eu negoceio (negócio); Eu premio/eu premeio (prêmio); Eu agencio/eu agenceio (agência)
Os verbos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar já se flexionam em anseio,  remedeio, incendeio e odeio e não admitem outra forma.

Nota
O fato de o Acordo contemplar a variante lusitana não quer dizer que devamos adotá-la, pois tal conjugação não é usual entre nós.

Hífen
Há, em português, vários processos de composição de palavras; um deles (o que interessa na questão do hífen) é o processo por justaposição. As palavras compostas por justaposição unem-se com ou sem hífen e sem perda fonética, ou seja, nenhuma parte da palavra se aglutina à outra palavra do composto:
mandachuva, pé de moleque, socioeconômico, contrarrazões, arco-íris etc.

Nesse grupo de palavras estão inseridos os compostos gerais e os compostos por prefixação e sufixação. No caso dos compostos gerais, as alterações foram mínimas; nos compostos por prefixação, as mudanças, muito mais numerosas, vieram para tornar mais lógico o emprego do hífen. Nem sempre esse objetivo foi alcançado, mas, em muitos casos, não se pode dizer que não houve simplificação.

Compostos gerais

Usa-se o hífen
Nas palavras compostas por justaposição que não contêm elementos de ligação e cujos componentes, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido.
Nessa regra se incluem os compostos formados por elementos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonântica de formas onomatopeicas, por serem de natureza nominal, sem elemento de ligação, por constituírem unidade sintagmática e semântica e por manterem acento próprio.

Ortografia
ano-luz; guarda-chuva; reco-reco; arco-íris; guarda-noturno; segunda-feira; blá-blá-blá; mato-grossense; tio-avô; azul-escuro; médico-cirurgião; trouxe-mouxe; decreto-lei; norte-americano; turma-piloto; finca-pé; primeiro-ministro; sapo-boi
Nota
Essa regra faz referência explícita aos compostos que não contêm elementos de ligação, donde se conclui que aqueles que os possuem não são escritos com hífen: pé de moleque; mão de obra; água de cheiro; cão de guarda; fim de semana; fim de século; sala de jantar; cor de açafrão; cor de café com leite etc.

Alguns vocábulos com elementos de ligação e que, por isso, se encaixariam nessa regra, foram considerados pelos estudiosos como palavras consagradas pelo uso, daí permanecerem grafadas com hífen: água-de-colônia; arco-da-velha; cor-de-rosa; mais-que-perfeito; pé-de-meia; ao deus-dará; à queima-roupa.
Nota
Em entrevista ao TRF 1ª Região, o gramático e linguista Evanildo Bechara, porta-voz da ABL para assuntos relativos ao Acordo, afirmou que, apesar de essa lista de palavras ser seguida por etc. no texto do Acordo, a ABL a considerará uma lista fechada (não podendo mais vocábulos serem incluídos em sua composição) e que, com o passar do tempo, espera-se, essas palavras também perderão o hífen em sua grafia, integrando-se à regra geral.

Nas palavras compostas que designam espécies botânicas ou zoológicas, o hífen deve permanecer, ainda que tenham elementos de ligação.
andorinha-do-mar (zool.); cobra-cabelo (zool.); pé-de-boi (bot.); andorinha-grande (zool.); cobra-d'água (zool.); pé-de-chumbo (bot.); bem-me-quer (bot.); ervilha-de-cheiro (bot.); pé-de-galinha (bot.); bem-te-vi (zool.); fava-de-santo-inácio (bot.); pé-de-bezerro (bot.)

Nota
Não serão escritos com hífen os compostos que, a despeito da coincidência do nome, não se referem a espécies botânicas ou zoológicas: bico de papagaio (nariz adunco ou osteófito na coluna vertebral); pé de galinha (conjunto de rugas no canto externo dos olhos); pé de boi (pessoa muito trabalhadora); pé de chumbo (indivíduo grosseiro, pesado) etc.

Não se usa o hífen
a. Em compostos por justaposição em que se perdeu a noção de composição.
=girassol; paraquedas; passatempo; mandachuva; paraquedismo; pontapé.
Nota
O critério de perda de noção de composição, em si mesmo, não ajuda a saber se o composto é escrito ou não com hífen. Na dúvida, a solução de sempre: consultar o dicionário.

Nas locuções de qualquer natureza (substantiva, adjetiva, pronominal, adverbial, prepositiva ou conjuncional), incluindo-se aí as unidades fraseológicas constitutivas de lexias nominalizadas.
à toa deus nos acuda quem quer que seja
à vontade faz de conta salve-se quem puder

Compostos por prefixação
Usa-se o hífen

a. Em todos os compostos em que o segundo elemento começa por h.
anti-higiênico; extra-humano; semi-hospitalar; arqui-hipérbole; geo-história; sub-hepático; circum-hospitalar; neo-helênico; super-homem; contra-harmônico; pan-helenismo; ultra-hiperbólico; eletro-higrômetro; pré-história; ultra-humano.

b. Nos compostos com os advérbios bem e mal, quando o segundo elemento começa por vogal ou h.
bem-aventurado; bem-humorado; mal-estar; bem-estar; mal-afortunado; mal-humorado.

Quando o segundo elemento dos compostos começa por consoante, ao contrário do advérbio mal, nem sempre os compostos com bem são escritos sem hífen. Nesses casos, havendo dúvida, a consulta ao dicionário se faz necessária. Em algumas situações, o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento.
bem-criado (cf. malcriado); bem-vindo; bem-ditoso (cf. malditoso); bem-visto (cf. malvisto); bem-falante (cf. malfalante); benfazejo; bem-mandado (cf. malmandado); benfeito (adj e subst.) (cf. bem feito, interj.); bem-nascido (cf. malnascido); benfeitor; bem-soante (cf. malsoante); benquerença

c. Nos compostos com os elementos além-, aquém-, recém- e sem-.
além-Atlântico; recém-casado; além-mar; recém-nascido; além-fronteiras; sem-cerimônia; aquém-mar; sem-número; aquém-pireneus; sem-vergonha

d. Nos encadeamentos vocabulares.
divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade; ligação Angola-Moçambique; ponte Rio-Niterói; voo Tóquio-Paris; percurso Lisboa-Coimbra-Porto; estrada Minas-Bahia

e.  Nos compostos em que o primeiro elemento termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo elemento.
anti-inflacionário; supra-auricular; eletro-ótica; contra-almirante; arqui-irmandade; micro-onda; infra-axilar; auto-observação; semi-interno

Nota
Os prefixos re-, pre- e pro-, por coerência e em atenção à tradição ortográfica, nos moldes do prefixo co-, continuarão se aglutinando com a palavra que os seguir se iniciada pela mesma vogal desses prefixos: cooperar, coocupante, reeleição, reeleito, proótico, preencher etc. Para conferir coerência à regra, a ABL decidiu registrar no Volp apenas a grafia coerdeiro (a grafia co-herdeiro deixou de ser abonada), à semelhança de coabitar.

f. Em nomes de lugares iniciados por grão-, grã-, verbo ou se houver artigo ligando os elementos.
Grã-Bretanha; Baía de Todos-os-Santos; Passa-Quatro; Trás-os-Montes

g.  Nas formações com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa com vogal, m ou n (além de h, regra geral).
circum-escolar; circum-navegação; pan-mágico; circum-murado; pan-africano; pan-negritude

Nota
• Quando esses prefixos não forem seguidos de vogal, m, n ou h, por uma questão de adaptação ortográfica, o n deve ser trocado pelo m, antes de p e b, como é o caso de pambrasileiro. Obedece ao mesmo princípio de adaptação a grafia de circuncentro.

h. Nos compostos em que o segundo elemento começa com a mesma consoante com que termina o primeiro elemento.
sub-base; sub-bibliotecário; ad-digital etc.

i. Nos compostos com os prefixos hiper-, inter-, super-, sub-, ad- e ab- antes de r.
hiper-requintado; sub-região; sub-rogar; inter-resistente; sub-reino; ad-renal; super-revista; sub-reitoria; ab-rogar

j. Nos compostos com os prefixos ex- (estado anterior), sota-, soto- (debaixo), vice-, vizo- (vice- no português antigo).
ex-presidente; ex-marido; soto-mestre; ex-diretor; ex-hospedeiro; vice-reitor; ex-primeiro-ministro; sota-piloto; vizo-rei

l. Nos compostos com os prefixos pós-, pré- e pró- (tônicos) antes de palavra com vida própria.
pós-adolescência; pré-escolar; pró-africano; pós-graduação; pré-natal; pró-europeu
Nota
• O conceito “vida própria” não parece preciso no texto do Acordo. A correta grafia de palavras com esses prefixos deve, quando houver dúvida, ser verificada nos dicionários.

Não se usa o hífen
m. Nas formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, o r ou o s será dobrado, para conservação do som original da palavra. Algumas palavras do português já eram escritas segundo essa regra antes do Acordo: biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microrradiografia etc.
antirreligioso; contrarrazões; cosseno; antissemita; extrarregular; infrassom; autorretrato; microrradiologia; contrassenha; contrarregra; microssistema; minissaia

n. Nas formações em que o primeiro elemento do composto termina com vogal diferente da vogal com que o segundo vocábulo é iniciado.
Autoestrada; extraescolar; plurianual; Coeducação; infraestrutura; socioambiental

o. Nas expressões latinas quando não aportuguesadas: ab ovo, ad immortalitatem, habeas corpus, habeas data, carpe diem, in octavo, mas in-oitavo (aportuguesada).

Compostos por sufixação
Nas formações por sufixação só se emprega o hífen em vocábulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas.
amoré-guaçu; andá-açu; Ceará-Mirim; anajá-mirim; capim-açu; ceará-mirinense

Emprego de maiúsculas e minúsculas iniciais
Uso de minúsculas

a. Em todos os vocábulos da língua de uso corrente.
As partes foram intimadas a comparecer à audiência de instrução e julgamento.

b. Em nomes de dias, meses e estações do ano.
domingo, janeiro, primavera etc.

c.  Nas palavras fulano, beltrano e sicrano.
Se você, fulano, beltrano e sicrano quiserem o mesmo livro, não haverá livros para todos vocês.

d. Nos pontos cardeais quando não usados absolutamente.
No sul do Brasil, o clima é mais ameno que no Nordeste.

Uso de maiúsculas
e. Nos nomes próprios de pessoas, reais ou fictícias.
João, Branca de Neve, Maria, D. Quixote etc.

f. Nos nomes próprios de lugares, reais ou fictícios.
Manaus, Brasília, Atlântida, Pasárgada etc.

g. Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos.
Vênus, Afrodite, Zeus, Minotauro etc.

h. Nos nomes de instituições.
Instituto Nacional do Seguro Social; Organização das Nações Unidas; Cruz Vermelha; Organização Mundial de Saúde

i. Nos nomes de festas e festividades.
Natal; Carnaval; Páscoa; Ano-Novo; Dia de Todos os Santos; 7 de Setembro

j. Nos títulos de periódicos (devem vir em itálico).
O Estado de S. Paulo; Folha de S. Paulo; Correio Braziliense; Veja

k. Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente, e em sua abreviatura.
O Sul é a região mais fria do Brasil.
Pontos cardeais
E: este ou leste; O ou W: oeste; N: norte; S: sul
Pontos colaterais
NE: nordeste; SE: sudeste; NO ou NW: noroeste; SO ou SW: sudoeste

Pontos subcolaterais
ENE: lés-nordeste NNO/NNW: nor-noroeste; ESE: lés-sudeste SSO/SSW: su-sudoeste; SSE: su-sudeste OSO/WSW: oés-sudoeste; NNE: nor-nordeste ONO/WNW: oés-noroeste

l.  Em siglas, símbolos ou abreviaturas.
ONU; MEC;ABL; K (potássio);Unesco; H (hidrogênio)

m. Nos bibliônimos – o uso de maiúsculas é obrigatório apenas no primeiro elemento; nos demais, é facultativo, a não ser que seja substantivo próprio.
Casa-grande e Senzala ou Casa-grande e senzala; Memórias de um Sargento de Milícias ou Memórias de um sargento de milícias; A Hora e a Vez de Augusto Matraga ou A hora e a vez de Augusto Matraga

ATENÇÃO
Se a sigla for composta por mais de três letras e puder ser pronunciada como palavra, poderá ser escrita com todas as letras maiúsculas ou apenas com a primeira letra em caixa alta: UNESCO ou Unesco; INCRA ou Incra; CAESB ou Caesb etc

n. Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas:
FAO, NATO, ONU; H2O, Sr., V. Exª.
Nota
Nos bibliônimos, os conectivos (preposições e conjunções) e artigos nunca devem ser escritos em caixa alta (a não ser que encabecem o título). Também os bibliônimos devem vir em itálico.

Uso facultativo de maiúsculas
o.  Nas formas de tratamento, expressões de reverência e hagiônimos.
Senhor ou senhor (Sr. ou sr.); Dona ou dona (D. ou d.); Doutor ou doutor (Dr. ou dr.); Vossa Excelência ou vossa excelência (V. Exa. ou v. exa.); Papa ou papa; Santa ou santa; Desembargador ou desembargador; Juiz Federal ou juiz federal

p. Nos nomes que designam domínios do saber, cursos ou disciplinas.
Português ou português; Artes Plásticas ou artes plásticas; Matemática ou matemática; Filosofia ou filosofia; Direito ou direito; Geografia ou geografia

q. Nas palavras usadas em categorizações de logradouros públicos, de templos e de edifícios.
Palácio da Alvorada ou palácio da Alvorada; Igreja de Nossa Senhora da Candelária ou igreja de Nossa Senhora da Candelária; Rua 25 de Março ou rua 25 de Março; Edifício Oscar Niemeyer ou edifício Oscar Niemeyer

Apóstrofo
a. Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.

b. Para separar contrações ou aglutinações em formas pronominais maiúsculas relativas a entidades religiosas.
Confio n'Ele. (referindo-se a Deus)

c. Para marcar a elisão das vogais finais o e a de santo e santa com o início de seu nome e também em nomes próprios de pessoas.
Sant'Ana, Pedr'Álvares, Nun'Álvares etc.

d. Para marcar, no interior de certos vocábulos, a elisão do e da preposição de em combinação com substantivos.
cobra-d'água, estrela-d'alva etc.

e.  Em versos de poemas, para compor a métrica.
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver.
Pois que tu és já toda a minha vida! (Florbela Espanca)

DA DIVISÃO SILÁBICA
 A divisão silábica, que em regra se faz pela soletração (a-ba-de, bru-ma, cacho, lha-no, ma-lha, ma-nha, má-xi-mo, ó-xi-do, ro-xo, te-me-se), e na qual, por isso, se não tem de atender aos elementos constitutivos dos vocábulos segundo a etimologia (a-ba-li-e-nar, bi-sa-vó, de-sa-pa-re-cer, di-sú-ri-co, e-xâ-ni-me, hipera-cús-ti-co, i-ná-bil, su-bo-cu-lar, su-pe-rá-ci-do), obedece a vários preceitos particulares, que rigorosamente cumpre seguir, quando se tem de fazer em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a partição de uma palavra:

1. São indivisíveis no interior de palavra, tal como inicialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, ou sejam (com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos terminam em h, ou d: ab- legação, ad- ligar, sub- lunar, etc., em vez de a-blegação, a-dligar, su-blunar, etc.) aquelas sucessões em que a primeira consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma labiodental e a segunda um l ou um r: ablução, cele-brar, du-plicação, re-primir; a-clamar, decreto, deglutição, re-grado; a-tlético, cáte-dra, períme-tro; a-fluir, a-fricano, ne-vrose.

2. São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente grupos e igualmente as sucessões de m ou n, com valor de anasalidade, e uma consoante: ab-dicar, Ed-gordo, op-tar, sub-por, absoluto, ad-jetivo, af-ta, bet-samita, íp-silon, ob-viar; des-cer, dis-ciplina, flores-cer, nas-cer, res-cisão; ac-ne, ad-mirável, Daf- ne, diafrag-ma, drac-ma, ét-nico, rit-mo, sub-meter, am-nésico, interam- nense; bir-reme, cor-roer, prorrogar; as-segurar, bis-secular, sos- segar; bissex-lo, contex-to, ex-citar, atrozmente, capaz-mente, infeliz- mente; am-bição, desen-ganar, en-xame, man-chu, Mân-lio, etc.

3. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito 1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exemplos dos dois casos: cambraia, ec-tlipse, em-blema, ex-plicar, in-cluir, ins-crição, subs-crever, transgredir; abs-tenção, disp-neia, inters-telar, lamb-dacismo, sols-ticial, Terp-sícore, tungs-tênio.

4. As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo nunca se separam: ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção, sacris-tães, traves-sões) podem, se a primeira delas não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, separar-se na escrita: ala-úde, áreas, coapeba, co-ordenar, do-er, flu-idez, perdo-as, vo-os. O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: caiais, caí-eis, ensaí-os, flu-iu.

5. Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne-gue, ne-guei; pe-que, pe-quei, do mesmo modo que as combinações gu e qu em que o u se pronuncia: á-gua, ambí-guo, averigueis; longín-quos, lo-quaz, quais-quer.

6. Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex-alferes, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.

Hífen
Nessa oportunidade vamos dar sequência a essa nova mudança no item que sofreu muitas alterações o hífen. De uso controvertido desde sempre, o emprego do hífen, mesmo com as novas regras definidas pelo recente Acordo Ortográfico, continua criando dificuldades para a compreensão do usuário da língua portuguesa. Assim, pensei, nesta aula, disciplinar tal uso, procurando sistematizar essa questão de forma mais clara e didática.
Para tal propósito, dividirei a discussão do seu emprego em duas etapas, sob os seguintes rótulos gerais: emprego do hífen; e formas de grafia. Em cada seção, aparecem exemplos e, às vezes, algumas justificativas consideradas necessárias ao esclarecimento dos tópicos apresentados. Vejamos:

Emprego do hífen
Com prefixo, usa-se o hífen diante de palavras iniciadas por h.
Exemplos: anti-higiênico, anti-herói, mini-hotel, sobre-humano, super-homem, subhumano.
Não se utiliza o hífen quando a vogal final do prefixo ou falso prefixo e a inicial do segundo elemento for diferente.
Exemplos: antiaéreo, autoaprendizagem, autoescola, coautor, extraescolar, hidroelétrico, infraestrutura, plurianual, semianalfabeto.
Observação
Sempre que a vogal final do prefixo e a inicial do segundo elemento forem iguais, deveremos usar o hífen.
Exemplos: anti-inflacionário, auto-observação, contra-ataque, infra-axililar, microorganismo, micro-ondas, semi-internato.
Exceção: o prefixo co justapõe-se, em geral, ao segundo elemento, mesmo que este se inicie por o: cooperação, coordenar, cooptar etc.

Escrevem-se sem hífen as palavras formadas por prefixo ou falso prefixo terminado em vogal, tendo o segundo elemento começado por consoante:
Exemplos: autopeças, coprodução, microcomputador, minimercado, pseudopensador, semicírculo, seminovo, ultravioleta.
Não se emprega o hífen nas formações que tenham o prefixo ou falso prefixo terminado em vogal e o segundo elemento iniciado por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas consoantes.
Exemplos: antirreligioso, contrassenso, macrorregião, microrregião, macrossistema, microssaia, minissaia, neorrealismo, ultrassonografia.
Usa-se hífen com os prefixos hiper, inter e super quando o segundo elemento começa com r.
Exemplos:  hiper-realista, inter-regional, super-resistente.
Nos demais casos, escreve-se sem hífen.
Exemplos: hiperacidez, hipermercado, interestadual, intermunicipal, superaquecimento, superexigente, superinteressante, supermercado.
Com o prefixo sub, o hífen se impõe diante de palavras iniciada por b, h ou r.
Exemplos: sub-base, sub-bibliotecário, sub-humanidade, sub-região, sub-raça.
Nos demais casos, escreve-se sem hífen.
Exemplos: subárea, subitem, subprefeitura.
Usa-se hífen nos compostos com além, aquém, recém e sem.
Exemplos: além-mar, além-mundo; aquém-mar, aquém-pirineus; recém-nascido; recém-nomeado; sem-casa, sem-cerimônia.
Com circum e pan, o hífen se impõe diante de palavras iniciadas por h, m, n ou vogal.
Exemplos:  circum-hospitalar, circum-mediterrâneo, circum-navegação, vircum-uretral; pan-americano, pan-helenista, pan-negritude.

Algumas formações com a respectiva grafia:
Ab
ab-rogação, ab-rogante, ab-rogar, ab-rogatório, ab-rupto, abrupto

ante
antebraço, antebraquial, antecâmara, ante-hipófise, anteislâmico, antenupcial, anteontem, anteprojeto, antessala

anti
antiácido, antiaderente, antiaéreo, antiamericano, antibacteriano, anticlímax, anticonstitucional, anticomunismo, antidemocrático, antidisentérico, antidistônico, antidoping, antieconômico, antiespasmódico, antiesportivo, antiético, anti-herói, anti-higiênico, anti-histamínico, anti-horário, anti-imperialismo, anti-inflamatório, antiofídico, antirrábico, antirrugas, antirruído, antissecretório, antissegregacionista, antissemita, antisséptico, antissísmico, antissocial, antitérmico

arqui
arquicéfalo, arquichanceler, arquiepiscopal, arqui-hipérbole, arqui-inimigo, arqui-irmandade, arquimilionário, arquiministro, arquirrival, arquisseguro

auto
autoadesivo, autoanálise, autocensura, autodefesa, autoescola, autoestima, autoestrada, autoexame, autoimunidade, automedicar-se, autopeças, autopista, autorretrato, autosserviço, autossuficiente, autossugestão, autossustentável

bem
bem-apessoado, bem-aventurado, bem-disposto, bem-dotado, bem-educado, bem-estar, bem-humorado, bem-nascido, bem-posto, bem-vestido, bem-vindo, bem-visto

bi
bicama, bicampeão, bicentenário, bimotor, biovular, bipartidário, bipolar, birradial, birrefração, birrefringência, birrelatividade, bisseção, bissetriz, bissextil, bissexto, bissexual, bissimétrico, bissulfeto

bio
biociência, biocombustível, biodiesel, bioengenharia, bioética, biomolecular, biopirataria, biorreologia, biorritmo, biossistema, biossociológico, biossurfactante

circum
circum-adjacente, circum-escolar, circum-hospitalar, circum-navegação, circumpercorrer, circum-uretral

co
coabitar, coautor, coautoria, coedição, coeditar, coerdeiro, coexistir, coordenar, cosseno, comorbidade

contra
contrabaixo, contracapa, contracheque, contracorrente, contragosto, contraindicação, contraindicar, contraofensiva, contraoferta, contraordem, contraproducente, contraprova, contrarrevolução, contrassenso

entre
entreato, entrecesa, entreguerras, entre-hostil, entrenublar-se, entreposto, entrerriano, entrerriense, entressafra, entresseio, entressemear, entressola

ex
ex-aluno, ex-marido, ex-mulher, ex-noiva, ex-patrão, ex-prefeito, ex-presidente

extra
extra-abdominal, extra-axilar, extraclasse, extraescolar, extralinguístico, extraoficial, extraordinário, extrarregulamentar, extrasseco, extrassensorial, extrassístole, extraterrestre

foto
fotoalergia, fotocartográfico, fotocatálise, fotocelular, fotodispositivo, fotodissociação, fotoelasticidade, fotoelétron, fotofobia, fotograma, fotointerpretação, fotoionização, fotojornalismo, fotomacrográfico, fotomicrografia, fotomontagem, fotonovela, fotorreceptor, fotorreportagem, fotossensível, fotossíntese, fotossistema

gastro
gastrenterite, gastrenterologia, gastroduodenal, gastroduodenostômico, gastroenterite, gastroenterocolite, gastroenterologia, gastrointestinal, gastroparalisia, grastrenterocolite, grastrintestinal, gastrorreia

hipo
hipoalergênico, hipoalérgico, hipobranquial, hipocalemia, hipoderme, hipodesenvolvimento, hipoglicemia, hipoinosemia, hipoparatireoidismo, hipoparatiroidismo, hipopatológico, hipossensibilidade, hipossuficiente, hipossulfito, hipotireoidismo

hiper
hiperacidez, hiperacústico, hiperagressividade, hiperbraquicefalia, hipercorreção, hiperespacial, hiperestesia, hiperexcitabilidade, hiperfibrinogenemia, hiperglicemia, hiper-hedonismo, hiper-hidrose, hiperinflação, hiperirritabilidade, hipermenorreia, hipermercado, hipermetropia, hipermobilidade, hipernuclear, hiper-realismo, hiper-rugoso, hipersaturado, hipersecreção, hipersensível, hiperurbanismo

infra
infra-assinado, infra-axilar, infradotado, infraestrutura, infraglótico, infra-hepático, infra-hioide, inframandibular, inframencionado, inframolecular, infraorbitário, infrarrenal, infrassom, infratemporal, infraumbilical, infravermelho

inter
interclube, intercomunicar-se, interestadual, interface, interinstitucional, interpartidário, inter-racial, interregno, inter-relação, inter-relacionar

intra
intracraniano, intraespecífico, intra-hepático, intramedular, intramuros, intramuscular, intraocular, intraósseo, intraperitoneal, intrapulmonar, intrarracial, intrassocial, intrauterino, intravascular, intravenoso

macro
macroanálise, macrobiótico, macrocefalia, macrocosmo, macroeconomia, macrorregião, macrossaia, macrossegmento, macrossocial, macrovisão

maxi
maxidesvalorização, maxissaia, maxivestido, maxirreação

mega
megabyte, megaciclo, megaempresa, megaesôfago, megaevento, megafone, megagametófito, mega-hertz, megainvestidor, megaoperação, megarregião, megassalário, megassena, megassistema, megassucesso

meta
meta-análise, metacronismo, metaeurística, meta-heurística, metalinguagem, metapsíquico, metarreportagem, metarrodopsina, metassemia, metassíncrise

micro
microbiologia, microcirurgia, microcosmo, microeconomia, microempresa, microenergia, micro-história, micro-ondas, micro-ônibus, micro-organismo, microprocessador, microrganismo, microrregião, microrreprodução, microssaia, microssérie, microssistema

mini
miniauditório, minicalculadora, minidicionário, mini-homem, minijardim, minirreforma, minirregião, minissaia, minissérie, minissubmarino

multi
multiarticulado, multiembrionário, multifuncional, multi-intencionalidade, multilateral, multinacional, multipartidário, multirracial, multissecular

neo
neocapitalismo, neoformativo, neo-hegeliano, neo-helênico, neoimperialista, neolatino, neo-ortodoxo, neorrealismo, neossimbolista, neossocialismo

pan
pan-americano, pan-blástico, pandemoníaco, pangermanista, pan-helenista, pan-mítico, pan-oftálmico, pan-urbanismo

peri
perianal, periápice, perilinfa, perimedular, perinasal, perinatal, perineural, perineuro, periodontal, periodontite, periodontoclasia, periodontose, perioftálmico, perioftálmico, periorbital, periósseo, perirradicular, perirrenal, perissístole, perissomático

pós
pós-abdômen, pós-adolescência, pós-alveolar, pós-auricular, poscefálico, pós-comunismo, pós-cranial, pós-datado, pós-diluviano, pós-dorsal, pós-doutorado, pós-eleitoral, pós-embrionário, pós-escrito, pós-estruturalismo, posfácio, pós-graduação, pós-guerra, pós-hipnótico, poslúdio, pós-moderno, pós-operatório, pós-parto, posponto, pospor, pós-socrático, postônico

pré-
pré-classificado, preconceito, pré-datar, predestinar, predispor, predisposição, predizer, pré-eleitoral, pré-escolar, preestabelecer, pré-estreia, preexistir, prefixação, pré-história, premeditar, pré-menstrual, pré-moldar, pré-natal, pré-nupcial, pré-olímpico, pré-operação, pré-operatório, pré-molar, pré-parto, pré-socrático

pró-
pró-americano, proatividade, proativo, pró-cassação, procônsul, pró-diretas, proeminente, progenitora, pró-labore, pró-socialismo

proto
protoariano, protoeslavo, proto-história, proto-histórico, protoindustrialização, protolíngua, protonefrídeo, proto-oncogene, proto-organismo, protoplasma, protoplasmático, protoporfirina, protorrevolução, protorromântico, protossatélite, protossolar, prototipográfico, prototraqueado

pseudo
pseudoartrite, pseudocultura, pseudoefedrina, pseudoestrela, pseudo-hemofilia, pseudo-hermafrodita, pseudo-história, pseudo-histórico, pseudoimunização, pseudomorfismo, pseudo-occipital, pseudo-ortorrômbico, pseudoparênquima, pseudorrevelação, pseudorrubi, pseudossábio, pseudossigla, pseudossufixo

re
reabastecer, recorrigir, reeditar, reeducar, reelaborar, reeleger, reembolsar, reencarnar, reengenharia, reenviar, refilmar, remexer, repassar, ressecção, ressignificar, ressocializar

recém
recém-aberto, recém-casado, recém-chegado, recém-convertido, recém-descoberto, recém-formado, recém-nascido, recém-nomeado, recém-saído, recém-talhado

retro
retroagir, retroalimentação, retroativo, retrocognição, retrocognitivo, retroesternal, retrofoguete, retrogradação, retroinjeção, retromandibular, retro-ocular, retroperitoneal, retroperitonial, retroperitônio, retroposição, retroprojetor, retropropulsão, retrorreflexão, retroviral, retrovírus

semi
semianalfabeto, semiárido, semiautomático, semicerrar, semicírculo, semideus, semieixo, semifinal, semi-hidrato, semi-internato, semimorto, semiprecioso, semirreta, semissintético, semivogal

sobre
sobreaviso, sobre-humano, sobreimpressão, sobreloja, sobremaneira, sobrepasso, sobressair, sobressalente

sub
subaquático, sub-base, subchefe, subclasse, subdelegado, subdiretor, subemprego, sub-humano, subitem, sublingual, sublixar, suboficial, subprefeitura, sub-regional, sub-reptício, sub-rogar, subtenente, subtropical, subutilizar

super
supercampeão, superdotado, superespecial, superestrutura, superexposição, superfaturamento, super-herói, super-homem, supermercado, superocupado, superprodução, superquadra, super-reação, super-realismo, supersônico, supervalorizado

supra
supra-atmosférico, supracelestial, supraesofágico, supraestrutura, supra-hepático, supra-humano, suprainguinal, supranatural, supraorbital, suprapartidário, suprarregional, suprarrenal, suprassensível, suprassumo, supraumbilical

tele
teleaula, telecine, telecomunicação, teleconferência, tele-educação, telemarketing, teleobjetiva, telessala, telessena

trans
transalpino, Transamazônica, transatlântico, transcodificador, transnacional, transpassar (traspassar), transplantar

ultra
ultra-aquecido, ultracentrifugação, ultracorreção, ultrademocrático, ultraelegante, ultraenergético, ultra-humano, ultraindependente, ultraleve, ultramar, ultraobscuro, ultraortodoxia, ultrapassagem, ultrarradical, ultrassom, ultrassonografia, ultravioleta

vídeo
Videoarte, videoaula, videocassete, videoclube, videoconferência, videogame, videojogo, videolaparoscopia, videolocadora

Desde a oficialização do Acordo Ortográfico, vê-se que o hífen é, ainda hoje, mesmo com a reforma, maciçamente empregado e atende a maioria dos casos, havendo apenas sua eliminação em duas situações muito específicas: primeiro quando, no caso amplo dos derivados, o prefixo termina por vogal e o segundo elemento se inicia pelas consoantes r e s (caso de autorretrato ou autosserviço); e segundo quando, entre o prefixo e o segundo elemento, não há coincidência de vogais (autoestrada), ou a vogal depara com uma consoante (anticomunista), ou simplesmente não há vogais, mas apenas consoantes (hipermercado). A ocorrência longa-metragem tem hífen porque se trata, sim, de um composto, e não de um derivado. Em princípio, todos os compostos por justaposição têm hífen; já os derivados ora têm, ora não têm.
A dúvida que possa existir quanto à eliminação ou não do hífen se prende, portanto, apenas a casos de derivação prefixal, e não envolve casos de composição por justaposição, em que, em geral, sempre se apresenta hífen (assim, temos, por um lado, os compostos hispano-americano e guarda-roupa — as exceções seriam mandachuva, paraquedas, paralama, parachoque e paravento —, claros exemplos de composição por justaposição, enquanto, por outro lado, temos hipoícone, sem hífen, e anti-intelectualismo, com hífen, termos que exemplificam casos de derivação prefixal).
Referências bibliográficas:
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA: Resolução nº 17, de 7 de maio de 2008. Recife: Construir, 2008.
MANUAL DA NOVA ORTOGRAFIA. São Paulo: Ática/Scipione, ago. 2008.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. totalmente rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.