"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PERFUME EXÓTICO



Quando, cerrando os olhos, numa noite ardente,
Respiro a fundo o odor dos teus seios fogosos,
Vejo abrirem-se ao longe litorais radiosos
Tingidos por um sol monótono e dolente.
Uma ilha preguiçosa que nos traz à mente
Estranhas árvores e frutos saborosos;
Homens de corpos nus, esguios, vigorosos,
Mulheres cujo olhar faísca à nossa frente.
Guiado por teu perfume a tais paisagens belas,
Vejo um porto a ondular de mastros e de velas
Talvez exaustos de afrontar os vagalhões,
Enquanto o verde aroma dos tamarineiros,
Que à beira-mar circula e inunda-me os pulmões,
Confunde-se em minha alma à voz dos marinheiros.

XXIII poema de "As flores do mal"
Charles Baudelaire
Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta boémio ou dandi ou flâneur e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição...
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domingo, 7 de dezembro de 2014

Trava-línguas divertidos

TRAVA-LÍNGUAS

A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada

A vida é uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente, sem suceder o sucesso...

Alô Tatu! Tu tá ai? Não tando tu, mas tua mulher tando é o mesmo que tu tá.

O tá e o tu tiraram férias do tatu. O tatu sem o tá e o tu, não tinha nada pra ser tatu.

Atrás da porta torta tem uma porca morta.

Trinta e três pratos de trigo para três tigres tristes.

A abelha bisbilhoteira bisbilhotava bolinhas brilhantes. Brincando e bisbilhotando, brilhou mais que bolinhas brilhantes.

O canguru corria cantando a canção. O canguru caçula caçoava e cantarolava a mesma canção.

O grilo gargalhava do grilo gripado. Gracejando, o grilo gripado grunhia um grito engraçado.

domingo, 9 de novembro de 2014

Regras de pontuação

Pontuação
Os sinais de pontuação podem ser separados em dois grupos:

     1.      Aqueles que marcam pausas:
a)   vírgula;
b)   ponto-e-vírgula;
c)    ponto.

     2.      Aqueles que marcam a melodia, a entonação:
a)      dois-pontos;
b)      ponto-de-interrogação;
c)      ponto-de-exclamação;
d)      reticências;
e)      aspas;
f)       parêntesis;
g)      travessão.

VÍRGULA        
Vírgula significa varinha; com o tempo passou a representar um pequeno traço.
A vírgula é o sinal de pontuação que indica pequena pausa na leitura. Separa elementos de uma oração e orações de um período.
I – A vírgula separando elementos de uma oração
Emprega-se a vírgula:
     1.      Para separar palavras da mesma classe gramatical ou função sintática:

Nossa casa tem três suítes, uma sala, dois banheiros e uma cozinha.
Suítes, sala banheiros e cozinha são substantivos (mesma classe de palavras).

“Vim, vi, venci.” (Júlio Cesar)
Vim, vi e venci são verbos.

Observamos que a conjunção coordenada aditiva e geralmente substitui a virgula entre a penúltima e a ultima palavra.

     2.      Para separar os vocativos:

Virgem Santíssima, rogai por nós.

“Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?” (Cícero)

     3.      Para separar o aposto explicativo do termo fundamental:

Maria Quitéria, heroína da Independência do Brasil, era baiana.

Duque de Caxias*, o patrono do Exército Brasileiro, foi um exemplo de conduta militar.
*Luís Alves de Lima e Silva

     4.      Para separar certas expressões explicativas, retificativas ou continuativas, tais como: isto é, a saber, por exemplo, aliás, então, com efeito, outrossim etc.:

O Flamengo e o Corinthians, por exemplo, têm as maiores torcidas do Brasil.

O resultado do concurso sairá segunda-feira, aliás, terça-feira.

     5.      Para separar o nome da localidade, nas datas:

Fortaleza/CE, 20 de janeiro de 2008.

São Paulo/SP, 27 de outubro de 2014.

     6.      Para indicar a omissão de uma palavra (geralmente verbo vicário):

Os católicos apregoam que os bons irão para o céu; os maus, para o inferno.

Que moleza, esta prova.

     7.      Para separar palavras repetitivas que têm função superlativa:

O gol de Ronaldinho Gaúcho foi lindo, lindo, lindo.

O café estava fraquinho, fraquinho.

     8.      Para separar elementos paralelos de um provérbio:

Casa em que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão.

Quem quer faz, quem não quer manda.

Quem casa, quer casa.

     9.      Depois do sim e do não, usados como resposta, no início da frase:

Sim, gostei muito do Rio de Janeiro.

Não, não dá para ficar.

      10.  Antes de e e nem repetidos, quer por ênfase, quer por enumeração:

Sua irmã é linda, e meiga, e doce, e carinhosa.

Nem você, nem ele, nem ela nem ninguém me impedirá de partir.

*Observamos que não deveríamos usar a vírgula antes de etc., pois “et cetera” significa “e outras coisas”.

     11.  Antes de ou e de nem, quando empregados enfaticamente:

Afinal, quem manda aqui sou eu, ou são vocês?

Não saio daqui, nem que me paguem.

     12.  Para separar adjetivos que exercem função predicativa:

Sereno e tranquilo, caminhou para a morte.

Inteligente e culto, passou facilmente no concurso.

     13.  Para separar objetos com correspondentes pleonásticos ou termos repetidos:

Amigos, já não os tenho.

Palavras, palavras, palavras, nada mais que simples palavras.

Aos amigos, já não lhes devo nada.

     14.  Para isolar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado.

Às vezes, saía de casa.

Recebia, frequentemente, notícias dos tios.

Quando antecipado, a vírgula é facultativa, dependendo da ênfase.

II – Emprega-se a vírgula, entre orações de um período
     1.      Para separar orações coordenadas assindéticas:
Nascemos nas lágrimas, vivemos no sofrimento, morremos na dor.
Ariovaldo ri, Fabiano chora, José benedito dorme.

     2.      Para separar orações adjetivas explicativas:

O homem, que é mortal, também é filho de Deus.

A Terra, que é redonda, gira em torno do Sol.

Sônia, que é mãe, esteve na creche.

Lembramos que ao fim das restritivas é facultativo o uso da vírgula.

O cachorro que eu ganhei(,) fugiu. (Entre verbos geralmente usa-se)

O homem que ri(,) vive mais.

     3.      Para separar orações intercaladas:

A economia, diz o provérbio, é a base da prosperidade.

A hierarquia e a disciplina, dizem os regulamentos, são os pilares da estrutura militar.

     4.      Antes de todas as conjunções coordenativas (exceto e e nem):

Zélia, quando está em Resende, ouve muito, mas pouco fala.

Estudei muito, logo fui aprovado.

     5.      Para separar orações coordenadas pela conjunção e, quando os sujeitos forem diferentes:

Tirai o verde da Terra, e a humanidade perecerá.

Tirai o amor e o luar da vida humana, e os poetas deixarão de existir.

Eu irei ao Paraná, e você me acompanhará.

Observações:
a)      Nunca se devem separar imediatamente por vírgulas palavras ligadas pela função sintática, como sujeito e predicado, verbo e objeto, nome e adjunto adnominal etc.:

A verdade, é que ninguém colaborou. (incorreto)

Aqueles, têm poucos rumos para seguir. (incorreto)

b)      Para efeito estilístico (polissíndeto), usa-se a vírgula para separar orações introduzidas pela conjunção e, quando esta vem repetida:

“E zumbia, e voava, e voava, e zumbia”. (Machado de Assis)

     6.      Para isolar as conjunções porém, pois, contudo, todavia, entretanto, portanto, quando não vêm no início da oração:

Você poderá ir; não deve, porém, voltar tarde.

Muito me esforcei; espero, portanto, ser recompensado.

     7.      Para separar orações subordinadas substantivas e subordinadas adverbiais que venham antes da principal:

Quando vou a Porto Alegre, visito meus parentes.

Embora não goste, viajo de avião.

Que cada um cumpra o seu dever, o Brasil espera.


*Se as orações coordenadas vierem antes da principal, a vírgula é facultativa.

Chovia muito(,) quando fui a Campo Grande.

III – Uso da vírgula com as orações reduzidas
Reduzida de Gerúndio:
        1.      Quando a subordinada começa o período, coloca-se vírgula, obrigatoriamente:

Dizendo adeus, ela partiu.

       2.      Em ordem direta, a colocação da vírgula varia conforme o sentido da oração reduzida de gerúndio:

Alcançou o seu objetivo comportando-se bem.

O professor saiu da sala, dizendo que o assunto estava encerrado.

Reduzidas de Particípio ou Infinitivo:
A vírgula é obrigatória, exceto no caso das reduzidas de infinitivo em função substantiva:

                O senador saiu, findo o discurso.

                Todos disseram ser tarde para o início da reunião.


PONTO-E-VÍRGULA
Marca uma pausa mais longa que a vírgula, no entanto menor que a do ponto. Justamente por ser um sinal intermediário entre a vírgula e o ponto, fica difícil sistematizar seu emprego. Entretanto, há algumas normas para sua utilização.
Emprega-se o ponto-e-vírgula com as seguintes finalidades:
     1.      Separar orações coordenadas que já venham quebradas, no seu interior, por vírgula.

Ruth adora bailes; eu, passeios.

      2.      Separar orações coordenadas que se contrabalançam em força expressiva (formando antítese, por exemplo).

Muitos foram chamados; poucos foram contratados.

      3.      Separar orações coordenadas que tenham certa extensão.

Os músicos todos se reuniram diante do teatro com seus instrumentos afinados; porém a personagem principal, o maestro, não apareceu.

      4.      Separar duas ou mais orações subordinadas que dependem da mesma subordinante ou principal.

É preciso ter presente que o trabalho nobilita o homem; que devemos prosseguir sempre com honra e dignidade; que todos temos direitos a respeitar e obrigações a cumprir.

     5.      Separar diversos itens de um considerando ou de uma enumeração.

Considerando:
a)      a falta de interesse dos associados;
b)      o reduzido número de presentes;
c)       o tempo reduzido;
dou por encerrada a reunião.

Assegurar-se-á a função social da propriedade imobiliária, mediante as exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no Plano Diretor e em suas diretrizes, especialmente no que concerne a:
a)      acesso à propriedade e moradia para todos;
b)      regularização fundiária e urbanização específica para áreas ocupadas por população de baixa renda;
c)       justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização.

PONTO
É utilizado para encerrar qualquer tipo de período (indicando que o sentido está completo), exceto os terminados por interrogativas ou exclamativas. Dos sinais, é um que indica maior pausa, que não é igual em todos os casos. Quando encerra um parágrafo, é denominado ponto final. Quando indica supressão de letras é denominado abreviatura.

Chovia. Começarei a trabalhar amanhã. Se puder, comparecerei à reunião.

Ilmo. Sr., V. Exª., obs. Etc.


DOIS-PONTOS
Empregam-se os dois pontos:
     1.      Antes de uma citação ou fala e antes de uma enumeração:

A raposa disse:
―Estão verdes, não prestam.
Foram três os ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

     2.      Para dar início a uma sequência que explica, esclarece, identifica, desenvolve ou descrimina uma ideia anterior.

Havia uma grande fila na bilheteria: tal era o interesse pelo espetáculo.

Descobri a grande razão de minha vida: Maria.

De você tudo se espera: ódio, rancor, vingança.


PONTO DE INTERROGAÇÃO
É usado no final de orações interrogativas diretas.

―Quem é você?

―Será que “vai dar praia” amanhã?

Em espanhol (a título de curiosidade), ele aparece no já no início da pergunta (de forma invertida - ¿ -), bem como, de forma normal, ao seu término ( ? ).


PONTO DE EXCLAMAÇÃO
É colocado após determinadas palavras, como as interjeições, e orações com entoação exclamativa. Denota, entre outras coisas, entusiasmo, alegria, dor, surpresa, espanto, ordem.

―Poxa!

―Oh!

―Não faça isso!

Da mesma forma que o ponto de interrogação em espanhol, também aparece de forma invertida no início da frase exclamativa (- ¡ -).


RETICÊNCIAS
As reticências (...) indicam que ficou incompleto o sentido da frase, deixando à imaginação do leitor a interpretação da supressão.

Vera é linda, mas...

São também usadas (de preferência entre parênteses) para indicar que parte de uma citação foi omitida.

Quem com ferro fere, com ferro (...).


ASPAS
São empregadas com as seguintes finalidades:
     1. Indicar uma transcrição textual.

Bradou Dom Pedro I: “Independência ou morte!”

     2.      Transcrever títulos de obras literárias ou artísticas, quando manuscritos ou datilografados. Se impressos ou digitados em computador, pode se usar o tipo itálico.

Li Os Lusíadas em uma semana

     3.      Isolar palavras ou expressões em outra língua, gírias, neologismos, arcaísmos etc.

Ontem, participei de um “chat” muito interessante pela Internet.

    4.      Mostrar que uma palavra está em sentido diverso do usual (geralmente em sentido irônico).

Eles são “ótimos” alunos.

Usa-se ponto antes de fechar aspas se a frase inteira está entre aspas. Usa-se depois, se as aspas abrangem somente parte da frase.

“Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti.” (Machado de Assis)

“Faze da tua vida ― o teu jardim”, escreveu Augusto de Castro.


PARÊNTESES
Empregam-se para separar as palavras ou frases intercaladas na oração.

Viana estava na praia de Maresias (era aonde gostava de ir aos domingos), quando viu chegarem seus amigos Vasquez, Saldanha, Jefferson e Jonas.

Usa-se ponto antes de fechar parênteses se a frase inteira está entre parênteses. Usa-se depois, se os parênteses abrangem somente parte da frase.


TRAVESSÃO
O travessão simples (―) serve para chamar a atenção para a palavra ou palavras que se seguem, para isolar termos intercalados, como também, para, nos diálogos, indicar a mudança de interlocutor. Pode substituir os parênteses. É uma particularidade de algumas línguas (o português, inclusive) para expressar um diálogo; em inglês e em italiano, por exemplo, isso não ocorre (usam somente aspas simples).
Os travessões são mais fortes que as vírgulas e muito mais úteis quando já existem muitas delas no período.
Emprega-se também o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou grupos de palavras que formam uma cadeia na frase.

O trajeto Rio―São Paulo: a conexão Manaus―Orlando; o percurso Salvador―Barreiras.

Quando, num contexto, intercalamos determinada(s) palavra(s) ou frase(s) cujo sentido pretendemos realçar, podemos fazer uso do travessão duplo, em substituição a vírgula ou parênteses:

“...lavar um aquário com peixe ― um desses seres absolutamente inócuos, inodoros, insípidos e inofensivos ― iria ser uma tranquilidade.”
“Parque de diversões”, Ilka Brunhilde Laurito

Se fosse usada vírgula sem a intercalação feita, ela deve ser deslocada para depois do segundo travessão:
“Arrancou uma folha de caderno ― por coincidência o de biologia ―, lascou aquela que iria ser, sem que soubesse, a primeira das ridículas cartas de amor...”
“Parque de diversões”, Ilka Brunhilde Laurito

Caso não fosse usada vírgula sem o(s) termo(s) intercalados(s), ela não é utilizada:

Meios de transporte coletivo alternativos ― principalmente “peruas” ― passaram a ser utilizados nas cidades brasileiras.

―Como foi isso? Perguntou Marilda.
―Eu estava distraído e bati o carro, respondeu Sócrates.


ASTERISCO
O apêndice, mais conhecido pelo sinal de asterisco (*) é colocado depois e em cima de um vocábulo para se fazer uma citação ou comentário posterior.
Duque de Caxias*, o patrono do Exército Brasileiro, foi um exemplo de conduta militar.

*Luís Alves de Lima e Silva



Fonte:
HERDADE, Márcio Mendes. Novo manual de redação: básica, concursos, vestibulares, técnica. 2ª edição, 1ª reimpressão – Campinas/SP: Pontes Editores, 2007. (Adaptado).